Acesso a bibliotecas reduz evasão escolar, confirma pesquisa do Ipea

20/10/2009

Da Agência Senado:

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Instituto Ecofuturo, em 2007, avaliou o impacto do Projeto Bibliotecas Comunitárias Ler é Preciso, mostrando que a implantação de 55 unidades levou à redução, nesses lugares, de 0,6% do índice de evasão escolar.

– Ter [menos] 0,6% é quase um ponto adicional de redução e estamos otimistas com relação à taxa [de evasão escolar] – salientou a pesquisadora do IPEA, Mirela Carvalho.

O estudo foi mencionado pela pesquisadora durante o seminário “Expansão do acesso à leitura: integração entre ações públicas e privadas”, realizado nesta quarta-feira (14), por iniciativa da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). De acordo com Mirela, a pesquisa avaliou como as bibliotecas poderiam influir, por exemplo, na aprovação e reprovação de alunos e no abandono da escola. Foram implantadas 80 bibliotecas em nove estados, pelo projeto realizado pelo Ecofuturo em parceria com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Mirela foi uma das debatedoras do tema “Como ampliar o acesso à leitura e como articular as ações entre os setores públicos e privados”, em mesa presidida pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ela explicou que a pesquisa mencionada englobou as bibliotecas implantadas antes de 2005 e após esse ano e comparou os resultados com comunidades onde não existe nenhuma biblioteca. Conforme Mirela, a pesquisa revelou ainda que a comunidade contribui mais com doação de livros que com a gestão e a utilização das bibliotecas.

O estudo sugere premiar as melhores bibliotecas e criar um sistema de capacitação continuada de bibliotecários. Promover troca de experiências entre bibliotecas sobre planejamento, gestão e realização de atividades de apoio e incentivo à leitura também estão entre as sugestões levantadas pela pesquisa.

Leitores

Jaqueline de Grammond, pesquisadora do departamento de Ciências da Educação da Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ), em Minas Gerais, responsável pela pesquisa de avaliação da biblioteca escolar, salientou o objetivo de orientar “políticas de promoção de leitura”.

– Os dados mostram uma relação direta entre a escolarização e o gosto pela leitura – revelou, citando estudo feito em Portugal pela pesquisadora Maria de Lourdes Dionisio, que também aponta a escola como fator determinante na formação de leitores.

Já o Programa Literatura em Minha Casa, encerrado em 2003, também citado por Grammond, teria comprovado que a escola pode ser o único local que propicia acesso à leitura.

Grammond ainda mencionou pesquisa realizada em conjunto pelo Ministério da Educação (MEC) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O levantamento teria comprovado que as bibliotecas, de modo geral, não funcionam como incentivadoras de ações de leitura, sendo dada maior ênfase à sua estrutura física.

– Há maior necessidade de formação de professores e outros profissionais da escola para que a biblioteca seja o coração da escola – sugeriu.

Cristina Vidigal / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Comissão do Senado aprova fundo para novas bibliotecas

16/09/2009

Da Agência Senado:

CAE aprova sugestão de fundo para financiar novas bibliotecas no país

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou nesta terça-feira (15) projeto que autoriza o governo a criar o Fundo Nacional de Apoio a Bibliotecas (Funab), indicado pelo autor, senador Neuto de Conto (PMDB-SC), como um mecanismo de apoio à implementação da lei que estabeleceu a Política Nacional do Livro. De acordo com o projeto (PLS 310/07), esse fundo deverá financiar a construção, formação, manutenção e constituição de acervos de bibliotecas.

Por iniciativa do relator, senador Cícero Lucena (PSDB-PB), o projeto foi transformado em autorizativo. Conforme o relator, a medida foi necessária para contornar a inconstitucionalidade de iniciativa, já que é de competência exclusiva do presidente da República propor leis que tratam da criação ou extinção de órgãos da administração pública – como pode ser entendido um fundo.

Na prática, uma lei autorizativa pode ser entendida como uma sugestão ao Executivo, revestida do aval político do Congresso. Como o projeto de Neuto de Conto foi examinado na CAE em decisão terminativa, agora seguirá diretamente para exame na Câmara dos Deputados. O texto não chega a sugerir fontes específicas de recursos para abastecer o fundo.

Neuto de Conto aponta o baixo índice de leitura no país, bem como a necessidade de oferecer aos cidadãos maior acesso ao livro. Ele reconhece o processo de barateamento do livro e o crescimento da indústria editorial, ao lado do aumento da renda, como fatores importantes para elevação do nível de leitura. Porém, considera que a proliferação de bibliotecas ainda como a melhor alternativa para “aproximar o povo do livro”.

Pré-sal

Na reunião, a CAE aprovou ainda requerimento para novo debate sobre o pré-sal Entenda o assunto, tema em discussão desde o início do mês, com recebimento da proposta do governo para regulamentar a exploração e destinação dos recursos das novas reservas de petróleo. Dessa vez, por sugestão do senador Tião Viana (PT-AC), a discussão envolverá aspectos regulatórios, econômicos e financeiros da exploração, assim como a questão da capitalização da Petrobras, indicado no projeto do governo como operadora única na área do pré-sal.

Os convidados para o debate, marcado para 22 de setembro, serão dois executivos da Petrobras: o diretor Financeiro e de Relações com o Mercado, Almir Guilherme Barbassa, e o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrela.

Gorette Brandão / Agência Senado

Reunião de setembro: Web 2.0 e a Magia do Livro

09/09/2009

Na sexta-feira passada, dia 04 de setembro, a magia do livro invadiu a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Antes que a reunião do Fórum Gaúcho pela Melhoria das Bibliotecas Escolares começasse, o auditório decorado com desenhos e outras produções dos alunos das redes de ensino presentes contribuía para que todos estivessem à vontade para ouvir os relatos, num clima de Hora do Conto.

As primeiras falas, contudo, tratavam de uma realidade bem séria. A presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia, Nêmora Arlindo, destacou as ações desse órgão para valorizar as bibliotecas escolares, que em sua maioria não apresentam condições adequadas para atender os alunos. Dentre essas iniciativas, Nêmora citou o apoio da Unesco e do Instituto Pró-Livro, que auxiliaram o CFB a estabelecer um diálogo com o MEC. Outro fato a ser destacado é o curso em EAD para bibliotecários, vinculado à Universidade Aberta do Brasil. A fala seguinte foi de Fernanda Melchionna, representando a Câmara Municipal de Porto Alegre.

Fernanda, que é a única vereadora bibliotecária do País, resumiu sua opinião sobre a importância das bibliotecas na educação com uma sentença que foi parafraseada várias vezes ao longo da tarde: “A biblioteca precisa ser o coração da escola”. Em seguida, ela aproveitou a ocasião para divulgar o lançamento da Frente Parlamentar de Bibliotecas Escolares, que ocorrerá no dia 24/09, quinta-feira, pela manhã, na Câmara. Loiva Teresinha, integrante da Comissão de Educação e Cultura do CRB-10 que mediou a reunião, incentivou os bibliotecários do Interior a repetirem essa iniciativa em seus municípios, para criar uma rede de parlamentares pela melhoria das bibliotecas. “O mundo do livro é o que nos salva da ignorância e da violência”, justificou Loiva.

A reunião era sobre as bibliotecas, mas foi o livro – e a escrita – quem chamou a atenção. A Rede Municipal de Ensino de Novo Hamburgo, que compareceu à reunião para fazer um relato de suas experiências positivas na gestão das bibliotecas escolares, levou três escritoras que trabalham com educação na rede (sendo duas delas bibliotecárias) para falarem sobre suas obras. A professora Rosângela Mariano, autora dos livros Utopia e Peixinho Pirulin, foi a primeira a falar, destacando seu amor pela poesia e pela possibilidade de mostrar suas obras para as crianças. Liliane Greuner, que escreveu o livro Ovelha negra, eu? após discutir o racismo em sala de aula, falou sobre como é importante ter liberdade no acesso aos livros durante a época escolar. Ela contou que estudava em um colégio de freiras, e os livros ficavam numa cristaleira fechada. “Quando a gente queria um livro, precisava pedir autorização e a chave para a irmã. E isso que nem sou tão antiga!”, ela brincou. O tom bem humorado continuou com o relato de Mayra Leie, que aproveitou a oportunidade para ler poemas de seu novo livro, Doces. As escritoras foram unânimes: o contato da criança com o autor é importantíssimo, pois desmistifica a figura do escritor. Ao saber que quem escreve é uma pessoa de carne e osso, os alunos aprendem que não há barreiras para que eles próprios um dia publiquem textos também.

Karlete Behrend, que conquistou o primeiro lugar no prêmio Professores do Brasil por seu projeto Biblioteca Escolar: embarque na magia da leitura você também, concorda com as escritoras. Tanto é que seu projeto inclui a visita de escritores às escolas, para aproximar alunos e os autores dos livros que eles leem. Mas não são só as crianças que são incentivadas a ler: em Novo Hamburgo, as bibliotecas escolares também querem se aproximar dos pais. Para isso, foi criada a Sacola da Família, que inclui títulos variados para leitores de todas as idades. As bibliotecas escolares do município de Lindolfo Collor divulgaram ações semelhantes: cada biblioteca deve ter um “escritor padrinho”, e oferecer “Bolsas Literárias” com 15 títulos diferentes, para agradar a família toda.

Na reunião, também surgiram histórias de renovação. A primeira foi a da EMEF Dr. Antônio Bemfica Filho, que pôde reconstruir e equipar sua biblioteca graças a uma parceria com a Justiça Federal de Novo Hamburgo, que destinou parte das verbas de multas para o projeto da Escola. A apresentação de uma reportagem da TV Justiça que conta essa história (veja abaixo) comoveu os presentes. Até Tatiana Fortes, professora que representou essa escola na reunião, não resistiu e chorou ao ver retratada na tela a alegria de seus alunos com a biblioteca nova. “Eu ainda me emociono”.

Outra escola que mostrou uma reformulação do espaço de sua biblioteca foi a EMEF São Jacó, também de Novo Hamburgo. A biblioteca ganhou um novo espaço, um novo nome – Biblioteca Pequeno Príncipe – e foi redecorada, para que as crianças sentissem vontade de visitá-la. O único problema é o acesso: como a nova sala fica num sótão, uma aluna com dificuldades de locomoção acaba não podendo visitar esse ambiente.

Essa dificuldade pode ser contornada com as TIC, Tecnologias de Informação e Comunicação. As professoras Eliane Moro e Lizandra Estabel, em sua palestra sobre a Web 2.0, destacaram o papel da Internet na aproximação entre as pessoas e o conhecimento. “A Web 2.0 é inclusiva, e a gente supera qualquer dificuldade para fazer parte dela. Como profissionais de informação, é nosso dever levar a informação ´para todos”, defendeu Eliane. Para ilustrar isso, elas citaram o caso de estudantes cegas do curso de biblioteconomia em EAD, que se sentiram mais incluídas no ambiente virtual de aprendizagem do que numa sala de aula comum, pois ali sua deficiência passava despercebida. Para mostrar que todos podem aproveitar as potencialidades dos meios digitais, as professoras mostraram um áudio que Ana Lúcia Leite, uma bibliotecária cega, produziu com seus alunos, também portadores de deficiência visual.

A principal característica da Web 2.0 é que, com ela, a Web se torna uma plataforma para que os próprios usuários criem seu conteúdo. Blogs, sites de redes sociais, fóruns e wikis são alguns dos exemplos de locais que a rede disponibiliza para que o internauta comum possa se expressar. Alguns exemplos de blogs de bibliotecas foram citados, com destaque para o Blog da Kátia, criado despretensiosamente e que hoje, um ano depois de seu lançamento, já conta com quase 40 mil acessos e recebeu indicação para o prêmio Top 100 Blogs. E essa é outra magia – como quando, na escola, recebemos a visita de um escritor e descobrimos que artistas são gente, e que também podemos escrever. A diferença é que agora, sabemos como e onde publicar.